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Leonardo Pessôa

Fazendo Day 2 com Devoted Company

Falemos de Devoted Company, Vizier Devoted, GW Devoted, Selesnya Company, Counters Company ou como preferir chamar. A própria Channel Fireball fez o favor de nomear o meu deck de duas formas diferentes em suas publicações a respeito do Day 2 do Main Event do Magic Fest São Paulo 2019.

Falemos de Devoted Company, Vizier Devoted, GW Devoted, Selesnya Company, Counters Company ou como preferir chamar. A própria Channel Fireball fez o favor de nomear o meu deck de duas formas diferentes em suas publicações a respeito do Day 2 do Main Event do Magic Fest São Paulo 2019. [deck](6554) Para os novos por aqui, o deck é sobre conseguir reunir um [card](Devoted Druid) não enjoado e um [card](Vizier of Remedies). [image](https://cardsrealm.com/images/cartas/en/shm-shadowmoor-devoted-druid-110.jpg) [image](https://cardsrealm.com/images/cartas/en/akh-amonkhet-vizier-of-remedies-38.jpg) Como podem reparar, essa combinação nos permite gerar o quanto for necessário de mana verde, desvirando o druida incessantemente. Ok, mas o que fazer com essa mana? Essa provavelmente vai ser a principal resposta para muitas das perguntas sobre o deck, mas... depende da lista. No caso da lista que usei no Magic Fest, a ideia é encontrar a solitária [card](Walking Ballista) e resolvê-la para X = 10000000 ou apenas um número grande o suficiente para matar o seu adversário com alguma folga. Para encontrá-la, iremos utilizar a habilidade do [card](Duskwatch Recruiter) repetidamente. Uma “win condition” secundária da minha lista é utilizar o terreno [card](Kessig Wolf Run) e atacar com o próprio druida não enjoado. Nas demais listas vocês podem encontrar combos com Rhonas the Indomitable, Mirror Entity, Shalai, Voice of Plenty, entre outros. [image](https://img.scryfall.com/cards/large/front/3/2/329a8738-3e17-403a-857a-0ba529ce8cd1.jpg?1543701177) [image](https://img.scryfall.com/cards/large/en/soi/203a.jpg?1518204802) [image](https://img.scryfall.com/cards/large/front/4/a/4a8447fe-7368-470a-911a-1083ec6cc831.jpg?1545409102) E se eu tiver meu combo exilado ou o oponente simplesmente tem tanto removal que não consigo desvirar com o druida em campo? Isso é algo que vai acontecer com frequência, após a ascensão do UR Phoenix, todos jogam com mais removals e surgical no sideboard. Buscando contornar isso, busquei uma lista que me proporcionasse uma forte estratégia midrange. Assim, contaremos com cartas com [card](Knight of the Reliquary), [card](Eternal Witness), [card](Militia Bugler) e todo o sideboard que pode entrar no lugar de peças do combo. Sim, é exatamente o que estão pensando, em muitos matchups eu reduzo demais a quantidade de cada peça do combo e confio que meu sideboard e minha estratégia de midrange darão certo. [image](https://img.scryfall.com/cards/large/en/con/113.jpg?1517813031) A lista sempre tem alguns slots livres e isso possibilita com que você pegue uma lista pronta, mas dê a sua cara ao deck. Considero que meu deck possui cinco slots discutíveis, que são: • 2 [card](Militia Bugler) • 1 [card](Scavenging Ooze) • 1 [card](Courser of Kruphix) • 1 [card](Ramunap Scavator) Esses slots são importantes e devem ser adaptados ao seu meta local. Optei pelo Ramunap, por exemplo, pois esperava encontrar muitos jogadores de Tron, Titanshift e Amulet Titan no Magic Fest. Ooze contra Dredge e Phoenix. Couser na expectativa de ser emparceirado contra Burn e afins. Os Bugler eu acho extremamente fortes quando caem no Company, me permitindo olhar boa parte do deck e escolher o que for mais relevante. Outras cartas que poderiam pensar em utilizar nesses slots são: • [card](Renegade Rallier) • [card](Knight of Autumn) • [card](Rhonas the Indomitable) • [card](Remorseful Cleric) • [card](Selfless Spirit) • [card](Voice of Resurgence), • [card](Tireless Tracker), dentre inúmeras outras. Como disse, devem adaptar ao metagame da sua loja ou região. O deck não tem um matchup fácil contra UR Phoenix, que representava quase 20% do metagame, e mesmo assim escolhi utilizá-lo no Main Event do Magic Fest e o motivo é simples: acredito que seja melhor jogar com um deck que considero entender em sua totalidade e adaptá-lo o quanto for necessário ao meta do que pegar um deck de última hora e não extrair o melhor do mesmo, apenas na expectativa de encontrar jogos favoráveis. Fechei o primeiro dia do Magic Fest 6-2, ganhando de um UR Phoenix com adaptação que comentei anteriormente, se não me engano foram 9 ou 10 cartas que entraram do side. Além desse, encontrei Humanos, Tron (duas vezes), Titanshift, Dredge, Bogles e Affinity. Não acho que tenha cometido nenhum erro grave, nada que mudaria algum resultado e acredito que as partidas que perdi foram por falta de sorte, nada que o deck não possa resolver em encontros futuros. Para compensar meu Collected Company não encontrando nenhuma criatura em um dos jogos que perdi, tive a oportunidade de “topdeckar” um [card](Kataki, War's Wage) que praticamente ganhou o jogo sozinho contra o Affinity. No segundo dia encontrei Humanos, Death and Taxes, UR Phoenix, Grixis Death Shadow, Titanshift e fui até a penúltima rodada com chance de premiar, mas tive a infelicidade de encontrar um Storm e começar na draw. Essa match costuma ter o primeiro game decidido no dado, uma vez que nenhum dos dois decks tem muitas formas de interagir com o outro, quem começa acaba saindo vitorioso. Após o side, acho que a match fica um pouco mais favorável para o Devoted Combo, pois temos muitas cartas no sideboard que podem atrasar bastante o Storm. Infelizmente não comprei muito bem e o mulligan castigou bastante, acabando com minha chance de premiação. Assim, fechei o segundo dia 4-3, totalizando 10-5 e a 108ª posição dentre os quase 1400 jogadores. Um resultado que me deixou bastante contente, considerando que foi meu primeiro Magic Fest (ou Grand Prix). Para mais informações sobre decks similares: foram para o Day 2 desse Magic Fest São Paulo outros 3 Devoted Combo. Um deles era o clássico Abzan, que conta também com o combo do [card](Kitchen Finks), [card](Viscera Seer) e [card](Vizier of Remedies). Outro usou uma estratégia pouco convencional em builds de Devoted Combo e optou por utilizar [card](Chalice of the Void) e [card](Simian Spirit Guide), tech que foi utilizada por muitos decks para tentar parar o UR Phoenix. O último dos 4 classificados não teve a lista divulgada, mas pelo nome “Devoted Evolution”, acredito que deve ser bem parecido com o deck que fez Top 16 no Main Event de Tampa. Um deck que é mais toolbox de criaturas e confia na força do [card](Eldritch Evolution) em detrimento de cartas como [card](Chord of Calling). Como podem ver, os 4 Devoted Combo que fizeram bons resultados no evento eram extremamente diferentes, então não há certo ou errado, os 4 eram competitivos e cada jogador soube extrair o melhor de sua própria versão. Deixo para todos aqui a lista que utilizei no Magic Fest São Paulo 2019. Sintam-se a vontade para tirar dúvidas ou fazer sugestões.

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Mariana Fontoura

Uma lança veloz no Magic Fest São Paulo 2019


Olá, Planeswalkers! Recentemente eu estive participando do Magic Fest em São Paulo e, como uma garota e jogadora iniciante, fui convidada a contar um pouco do que foi minha primeira experiência num evento competitivo de Magic: the Gathering, como foi esse. Além disso eu tive a honra de ser premiada pela [link](https://mobile.twitter.com/mtg_forward)(Play it Forward) por ter sido a mulher mais bem classificada no evento principal cujo o formato jogado era o Modern. Acontece que eu venho jogando MTG desde do final de 2017, tendo finalmente, em meados de abril de 2018 apenas, montado um deck (MBC Pauper) e passado a frequentar semanalmente os campeonatos da minha loja local, a [link](https://lojaportal.net)(Portal TCG). Desde o início eu fui acolhida junto com meu namorado que embarcou nessa aventura comigo, aventura que teve e tem como lugar central, essa mesma loja (Portal TCG) no Rio de Janeiro. Lá eu conheci muita gente, fiz muitos amigos e conheci garotas que já jogavam a mais tempo. Sou muito grata a todos desta loja porque desde iniciada no jogo passei por poucas infelicidades por ser uma garota e com isso pude frequentar assiduamente os campeonatos e crescer muito como jogadora, processo que ainda continua a todo vapor. Contudo, devo mencionar que sei que para muitas meninas a experiência é outra, bem menos positiva que a minha particular. Durante a minha busca por conteúdo de MTG na Internet eu conheci o grupo Liga das Garotas Mágicas (S2). Lá eu fiz contato com muitas meninas que jogavam, escutei muitas histórias e percebi o quanto a comunidade feminina era expressiva ainda que esta não se fizesse "fisicamente" tão presente assim. E com o tempo eu fui entendendo, ou pelo menos passando a ter uma ideia, do porquê de isso acontecer. Minhas especulações tomaram mais forma quando um dia eu passei pelo meu primeiro "desconforto" cuja a condição para ocorrer foi justamente eu ser uma garota. Fico feliz que a situação tenha se resolvido, mas no fundo eu me senti tão afetada que havia perdido grande parte da minha confiança enquanto jogadora. Comecei até a achar que o meu deck (Burn) estava errado e comecei a mudar loucamente as cartas; por fim achei até que eu não podia/sabia jogar com ele. Enfim. Isso aconteceu pouco menos de um mês para Magic Fest e, daí em diante, eu tive péssimos resultados com o deck que eu havia $ofridamente montado ao longo de pelo menos 6 meses. Eu já havia comprado as passagens, agendado hotel, mas estava praticamente decidida a não participar do evento principal. Eu só mudei de ideia quando cheguei na sexta-feira, um dia antes do evento, e meu namorado (a quem não posso deixar de mencionar novamente com gratidão) fez muita questão que eu participasse. Cheguei a jogar o Last Trial para conseguir 2 Byes no evento principal, mas era single elimination e adivinhem? Perdi no primeiro match e acabei sendo eliminada. Lembram de quando eu disse que fiquei mudando as cartas do deck? Então, até eu desanimar um pouco com o deck, eu estava jogando com uma lista que eu gostava muito. Inclusive era um lista que recebia críticas (algumas construtivas e outras nem tanto) por não usar 4 dos novos queridinhos Skewer the Critics, e ainda por cima usar o estranhíssimo, mas não pouco eficaz, Vexing Devil e outras coisas "controversas". [image](https://img.scryfall.com/cards/large/front/9/7/97295660-6bea-46ae-9a3b-0fc6abba407f.jpg?1549414483) [image](https://img.scryfall.com/cards/large/front/a/5/a5ebb551-6b0d-45fa-88c8-3746214094f6.jpg?1547517462) No entanto era a lista que tinha minhas cartas favoritas e o mais importante: a que eu me sentia mais confiante em usar. Tenho certeza de que acreditar nela foi parte decisiva no meu resultado. Parti para o main event com a expectativa de simplesmente poder dizer que tive a experiência de participar de um evento mais competitivo do que eu estava habituada e extremamente concentrada no que poderia aprender de novo com esta experiência. O main event surpreendeu minhas expectativas. Foi um evento em que eu pude me descobrir a cada jogo como uma jogadora melhor que eu supunha, reconhecer meus pontos fortes e principalmente minhas fraquezas. A loja que frequento e todo seu ambiente amigável havia me preparado mais para o cenário competitivo do que eu sabia, isto em grande parte devido ao power level dos meus colegas que semanalmente jogavam comigo em campeonatos. Nesse evento pude também conhecer outras meninas e me inspirar. Foi revigorante ver a comunidade tão receptiva, horizontes positivos se anunciam no Magic: todos os oponentes que jogaram comigo foram extremamente respeitosos e isto é uma alegria imensa para mim, não só por ser uma garota mas por amar genuinamente o jogo em si. Eu sei que há casos e casos e eu fui sortuda de encontrar boas pessoas no caminho, mas fica o meu recado: Meninas (ou qualquer outra pessoa), não desanimem ou deixem de jogar por conta de uma situação ruim. Existem boas pessoas e lojas preparadas para nos receberem. A comunidade ainda conta com "espaços tóxicos", mas eles não são a maioria e cada vez mais vejo ações dentro da própria comunidade para reprimir "certas posturas". Correndo o risco de cometer redundância eu preciso agradecer imensamente aos meus colegas da Portal, da Cards Realm e ao meu namorado Davi que desde o início me incentivou muito e sempre me instigou a aprender mais sobre o jogo (inclusive montou meu side guide haha). E foi assim que eu encarei o evento; atenta ao novo, mas sem muitas expectativas por me sentir inexperiente no jogo (afinal eu esbarrei com pessoas que estavam no oitavo GP e jogavam a mais de 10 anos), mas a cada partida que eu joguei consegui ver com mais clareza o que eu estava fazendo. O deck fazia o que precisava ser feito, ganhei de top draw mais vezes do que a sorte pode permitir e deste modo eu consegui fechar 6x2 e passar para o day two no meu primeiro GP (Magic Fest). Sobre o segundo dia eu posso dizer que senti a atmosfera mais pesada e mais competitiva, mas nada fora do padrão do que eu esperava, apenas mais tenso. Isso por exemplo não foi motivo para meus oponentes deixarem de ser cordiais e respeitosos durante as partidas. [image](https://img.scryfall.com/cards/art_crop/en/wwk/99.jpg?1530592601) O que eu levo desse evento e que gostaria de compartilhar com todos, especialmente as meninas que querem aprender a jogar ou já jogam é: a comunidade do MTG é incrível e sempre há espaço para todo mundo. O meio competitivo me assustava porque eu achava que não seria possível fazer qualquer resultado sendo tão nova no jogo, mas o importante é que eu pude sim, fazer um bom resultado, e o melhor: perceber o quanto eu sou capaz de me dedicar e melhorar como player e como pessoa. Estou longe de ser a jogadora que eu quero ser no MTG, mas sinto que agora existe toda uma infinidade de planos no multiverso que eu posso explorar.

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