
*Cyclades* é um jogo de tabuleiro criado por Bruno Cathala e Ludovic Maublanc e publicado pela Matagot em 2009. Seu cenário é o mundo insular da Grécia Antiga: os jogadores lideram cidades rivais em busca da supremacia no arquipélago. A condição de vitória é específica: um jogador precisa controlar duas metrópoles, seja construindo-as, seja tomando-as de um adversário. Isso torna a expansão e a defesa inseparáveis; uma cidade que conclui uma metrópole também pode se tornar um alvo imediato.
O mecanismo que define o jogo é um leilão pelo favor dos deuses gregos. Os jogadores oferecem ouro para realizar ações associadas a Ares, Poseidon, Zeus ou Atena. Ares permite recrutar e movimentar tropas terrestres, enquanto Poseidon rege as frotas e a movimentação pelo mar. Zeus concede sacerdotes, que reduzem o custo das oferendas futuras, e Atena concede filósofos. Apolo oferece uma alternativa aos jogadores que não conseguem obter — ou optam por não disputar — o favor de um dos outros deuses. Como não podem simplesmente escolher todas as ações que desejam, cada lance também é um compromisso estratégico: gastar muito para garantir a movimentação militar pode deixar menos ouro para as rodadas seguintes.
Há duas maneiras de obter metrópoles. Uma delas é reunir quatro construções diferentes: uma fortaleza, um porto, um templo e uma universidade. Elas correspondem, respectivamente, a Ares, Poseidon, Zeus e Atena. A outra é adquirir quatro filósofos. Ambos os caminhos dependem do acesso a determinados deuses ao longo de turnos sucessivos, de modo que os adversários podem atrapalhar um plano antes de sua etapa final. Eles também podem conquistar uma metrópole já existente. É justamente por isso que as ilhas e as rotas marítimas importam: exércitos podem ameaçar territórios, mas é preciso ter frotas para conectar forças através do mar.
As criaturas mitológicas acrescentam ao jogo outro elemento distintamente grego. Os jogadores podem pagar para usar cartas de criaturas, cujos efeitos podem desestabilizar a posição de um adversário ou abrir caminho para suas próprias forças. Assim, o mercado de criaturas oferece possibilidades táticas além dos benefícios mais previsíveis dos deuses e das construções.
*Cyclades* recebeu posteriormente expansões que modificaram a disputa original sem substituir o leilão central. *Hades* introduziu o deus do submundo como uma fonte adicional de ações, enquanto *Titans* acrescentou unidades de titãs e uma configuração diferente de mapa. Essas adições ressaltam o que tornou o jogo de 2009 reconhecível: a vitória é medida em metrópoles, mas o caminho até elas passa por lances, favores divinos, ligações marítimas e o risco constante de um rival tomar o que outro jogador construiu.
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